sábado, 25 de outubro de 2014

ULTRA TRAIL ALDEIAS do XISTO 2014 K105

A MINHA VISÃO

ISTO NÃO É COMO COMEÇA, MAS SIM COMO ACABA!

Muito se comentou, normal comentar, mas estaremos a ser verdadeiros connosco próprios?

Bisar uma prova ou rebisar, ao contrário do que se possa pensar, trás aquilo a que eu chamo de maturidade.

Em 2012 tive o prazer de participar no UTAX  82k 5000d+. Era meio de Novembro, estava temporal, nem 6 meses tinha de trilhos, alias era a minha maior distancia, passámos no controle dos 50k quase a fechar e a ficar de noite, até lá tínhamos ultrapassado autenticas pistas de ski de lama, nevoeiro, chuva, vento e frio, claro em terreno técnico e altamente encharcado, quando cai a noite entrámos nos famosos trilhos dos Abutres, os quais eu nunca tinha feito e ia logo fazê-los, de noite, dentro de nevoeiro, chuva, bem um filme de terror (salvo seja, foi espetacular), a desistência esteve perto, pois lá em cima a atravessar as eólicas era água por cima e por baixo dava pelos tornozelos, frontais, não se via nada, batíamos o dente com o frio, finalmente vem a descida e a chuva abranda e com isso vem uma deliciosa onda de calor, e que bem que soube, era o alento para terminar esta aventura apoteótica e inesquecível. Nos últimos abastecimentos éramos um quinteto, por questões de segurança andávamos sempre juntos, à saída do Ti patamar e último abastecimento onde faltava menos de 10k para a meta em Lousã, esperava-se um final a descer e suave, e veio a surpresa mais uma subida com 400d+, aquilo chegou para chingar a organização, hoje penso de maneira diferente.

Passados 2 anos, de ter feito mais 2 edições com 72k 2013 e com 105k 2014, a versão 2012 foi a que mais respeito meteu.

2013 Foi uma versão, desculpem a expressão mas tirada a saca-rolhas, para mim foi um fiasco, quem lá foi não desfrutou da serra e não ficou com ideia do que é a serra da Lousã.

2014 Foi uma edição de se lhes tirar o chapéu, tem ainda algumas coisas a melhorar (que sei que irão melhorar) mas o sumo estava lá, o melhor da serra estava lá, um festival de trilhos, onde eu me senti eu e o trilho

Sabia ao que ia, vinha de umas férias bem descansadas, um início de época bem desenhado, num ganhar de forma a olhos vistos, só podia dar no que deu, sei que ando no fim do pelotão, sei que corro em estrada com tempos medíocres, mas aqui vale a cabeça, vale a experiência e terminei a sorrir, terminei a correr, terminei a saltar.

Se falei mal da última parte? 
Não, claro que não, a primeira coisa que me lembrei quando estava a fazer a última parte foi dos últimos 10k do 2012 e ri-me para mim mesmo, não posso falar mal desta parte, pois só falamos mal porque já vamos mal, porque carregámos onde não devíamos, este ano ao lado da mestre aqueles 105k sempre a manter um ritmo bom e vivo, sem nunca sentir um martelo, a acabar a correr foi altamente compensador.

Em maio sofri muito e falei muito mal do UTSM 104k, aí só posso falar mal de mim mesmo, primeiro não estava em boas condições físicas, e depois o tipo de terreno não era propriamente o que eu gostava.

Posso falar de mim quando a coisa corre mal, mas também posso falar bem quando a coisa corre bem.

Como dizia um amigo, uma prova a sério tem classificações a sério, se numa prova exemplo MIUT temos classificações e registo dos que partiram, em cada posto controle, quais acabaram, quais desistiriam e quais foram barrados, no MIUT eu desisti após os 62k está lá, e dá mérito a quem acabou, eu não me chateio com isso, mas é assim que se avalia,
Quando temos uma prova com 450 atletas e começam 390, e acabam 370, se calhar o mérito é diferente, de por exemplo no MIUT em que começaram 190 e acabaram 120, no UTAX sei que estavam mais de 300 inscritos, terão partido? Quantos? Só acabaram 160, metade, o mérito é o mesmo?

O primeiro demorou pouco mais de 13h, eu andei por lá mais quase 9h, não se riam ouvi alguns meninos que chegaram com 15h\17h a interrogarem-se como nós demoramos tanto, dá para acreditar? E eles porque não conseguiram fazer 13h e ganhar?

Fazer provas diferentes dá experiência? Dá, mas bisar ajuda a ganhar maturidade e a cortar ideias concebidas de sensações vividas num espaço de tempo, em que vividas no mesmo espaço mas noutro espaço temporal e com outras gentes, estados físicos e mentais, são desmitificados. 

UTAX 2014 105K, É UMA PROVA ÚNICA NESTE NOSSO PLANETA, QUE TEM DE SER RESPEITADA E DISFRUTADA

BOAS PROVAS E DIVIRTAM-SE



segunda-feira, 20 de outubro de 2014

A SEGUIR A UMA CURVA DESCENDENTE VEM UMA ASCENDENTE

2013\2014
UTAX  K73 12H33 
acho que foi o fim de um ciclo bom

UTAM K60
aqui senti que já não estava em forma

UTFB  K50
decididamente não estava bem, pesado e cansado, DESISTENCIA
o tipo de terreno apesar de não ser o meu favorito não me posso desculpar com ele
ser estradão e descampado não é desculpa, eu andava mal

UHTP K60
parecia tudo bem até que a má disposição me tirou para fora os 45k
DESISTENCIA

MIUT K115
a alma estava ok, as pernas estavam ok, o pulmão estava ok
com 65km e 4000d+ feitos e após várias horas de não andar a entrar nada 
a massa entupio a maquina e os vómitos viram
foi o descalabro de uma fase péssima
DESISTENCIA

UTSM  K104
aqui a ideia fora ir tranquilo e ao natural
sem corantes nem conservantes
mas lá está
peso a mais
stres laboral
começo da prova ao fim de um dia de trabalho e de viagem
horas a fio a gramar pó 
puseram-me mal disposto logo aos 15km's
a Ana disse assim se desistires não vale a pena ires a Espanha
bebi um chá, lembrei-me das palavras do Miguel no MIUT
e segui até ao seguinte abastecimento
e voltei a fazer o mesmo
e o mesmo
e só aos 50k é que consegui ficar porreiro com as bifanas grelhadas
mas o calor e os charcos iriam dar-me enormes problemas
bolhas enormes nos dois pés
30k a andar 
a ser puxado pela Ana
FINISHER
3 pontos UTMB

EHUNMILAK K168
após estes factos e estas experiências só pode mesmo anular a minha inscrição
DESISTENCIA
momento macabro, mas aceita-se pois quando não há uma maior motivação
pois quando há um erro na estratégia alimentar 
pois quando há stress laboral
ficam lançados os dados para a
DESISTENCIA

UTSF K70
foi com grande naturalidade e amizade que se fez o UTSF
um pouco mais leve
estratégias mudadas
boa companhia da Ana e do Hélder
FINISHER

a minha falta de motivação
aliado ao Verão 
veio o descanso 
11 semanas sem provas
3\4 treinos semana 7\8km's cada
e a nova época aproxima-se

UTSN  K83
mais leve
mais motivado pelo desafio e pelo 1º contacto acima dos 2000mts
a subida aos 3100mts
numa distancia dura QB
maioritariamente abaixo dos 2000
tinha os ingredientes para uma boa prova
até ao km 71, 5 estrelas tudo OK
ao passar os 2200mts
veio as tonturas
o acelerar cardiaco
e as muitas paragens
6 horas para 14km
chorei quando cheguei lá acima
a Ana não me deixou desistir
FINISHER
3 pontos UTMB

UTAX K105
eu e o trilho
mais leve
mais preparado
correu muito bem 
acabei folgado
e contente
FINISHER
3 pontos UTMB

SÓ ME RESTA AGARRAR A ESTA EXPERIÊNCIA E NUNCA MAIS A ESQUECER

tem sido um longo caminho
um caminho que não acaba
se não for seleccionado para 2015
já tenho os pontos para ir directo em 2016
:-)





quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Reflexão

   Um ano passado!
   Uma época desportiva para trás, 29 provas e 1100 km percorridos.
   Este é um momento de reflexão, olhar para as fotos e resultados e reviver as emoções, as sensações, os pensamentos.
   Altura idêntica só talvez numa prova única, em ambiente novo, distancia nova, dificuldade nova, clima agreste, sim em momentos destas revive-se memórias, tentamos ir ao fundo do baú toda a experiência adquirida. Agora recordo-me de um momento desses, sim foi na Madeira.
   A espera, o dia custou tanto a passar, a contar os minutos e as horas até que partíssemos.
   Pequenos cruzamentos de olhares com outros atletas, mas um ambiente desconcertante pela concentração e ansiedade. A entrada no autocarro aumentou a adrenalina, a ideia de dormir uma horita tinha ido por água abaixo, gargalhadas e piadas disfarçavam os nervos, eu sentia as pulsações cardíacas fortes!
   Quando se entra para o curral da partida, começamos a pensar em tudo e mais alguma coisa, pois a prova tinha sido muito preparada e havia noção total do que nos esperava, e para cada dificuldade lembrava-me de uma prova, pela técnica lembrava-me da Freita e acalmava, pelo intempérie lembrava-me do UTAX, e pela distancia, e pelo desnivel andar dos 0mts aos 1900mts, e com km's verticais,  idealizava uma espécie de D'Arga e Freita seguidas, algo monumental-mente dificil mas exequível. As conversas, os avisos, os abre olhos aqui neste curral fizeram sentido e vieram ao de cima.
Apesar de sorrisos a realidade está nesta foto.


As subidas intermináveis, a escuridão, o nevoeiro, as constantes alterações climatéricas e a distancia, motivaram dezenas de estados de espírito e pensamentos, a outra verdade iria ser descoberta, podemos ter pernas, ter conhecimentos técnicos, mas controlar o corpo e a alma no meio de intempéries, fintar o corpo do sono e cansaço, ter começado à meia noite depois de um dia enorme cheio de emoções só a adrenalina deu para passar a noite, a nossa força, a nossa força mental.
Momentos de agora, são momentos de calmia onde o tecto da nossa casa, a comida em cima da mesa escondem os cheiros da floresta, os ventos das montanhas.
O pequeno trail, o trail, o trail long, o ultra trail, e por ai fora...uma história que agora parece interminável, mas que culmina numa barreira, uma barreira que uma organização, a que organiza o evento por muitos dita a 'meca do trail', que avalia os eventos numa fórmula matemática entre a distancia e os desníveis, 4 pontos UTMB um selo que muito poucas provas conseguem exibir, um selo que mete respeito. Desde os primeiros km's que já se via desistências e de atletas bons e experientes, o que me deixava mais preocupado.
A companhia fora uma arma poderosa, que dava para tapar altos e baixos. As tontices de acelarações, ir atrás de tempos, de não querer ficar atrás de alguém aqui ou se acabam ou pagas a factura. a experiência da Mestre tornou-se evidentemente fundamental, e tudo fazia sentido.


   
   Agora mais repousado digo, somos homens e cada um de nós tem um organismo diferente, ver, ouvir e ler é bom, mas pode ser mau. Os ténis bons de uns podem ser maus para mim, a hidratação boa de uns pode ser má para mim, os treinos bons de uns podem ser maus para mim, enfim acaba por ser uma pescadinha de rabo na boca.
   O plano de provas feito, planeado de uma forma sustentada a culminar no MIUT foi a melhor preparação possível, deu-me conhecimentos reais e práticos do meu organismo, e do meu equipamento, deu-me preparação psicológica. Lembro-me que aprendi a reconhecer grandes diferenças em provas 'idênticas' fazer 42 km Sicó não é 42 km Abutres. Ter a ideia que o UTAX poderá ser igual ou parecida à Freita é outro erro. Aliás a Freita 2013 foi  bem mais acessível e menos perigosa que 2012, o clima estava bem mais quente, o rio estava baixinho e com as margens secas. A morfologia das provas é algo muito variável.
   Desfrutar de um trail em determinados locais, e ou com determinadas distancias acarreta uma consciencialização de realidades.


   Produzir e partilhar uma foto montagem destas, só pode representar orgulho, pois foi um caminho, um caminho planeado, um caminho duro cheio de coisas boas e de muitas 'dores' lol
   Conquistar algo, e guardá-lo no armário no mínimo seria desmotivador, lol
   Não tenho objectivo de ir ao UTMB. Mas tenho 7 pontos em 2 provas. não foi pelos pontos, foi pelo UTAX e MIUT! :-)

 
   Sei que a maioria do pessoal é muito experiente.
   Mas também já aprendi que a melhor lição é viver as coisas.
   Espero para este ano concluir o caminho traçado.
   Espero que todos vós planeiem um bom caminho, pois o destino é possivel a todos, mas o caminho que fazemos é que o torna possível.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Querer é poder, nunca é como se começa, mas sim sempre como se acaba!



Ultra Maratona Atlantica 2012
e
a Ana e o Hélder
5h19
cheias de brincadeira e banhitos
Há melhores momentos do que estes?


uma partida ao desconhecido
a Ana veio porque eu estava inscrito e ela quis-me proteger
a minha Treinadora :-)
ainda hoje ela diz se quiseres vai ;-) vou por os phones


o nosso safari :-)
e a meio a correr pela água que delicia
tudo a olhar e a correr no seco...


após tanta pedra, tanta subida nada como uma praia 
esta prova funciona um pouco como uma maratona de estrada 
aos 30 lá vem ele, 
no começo ninguém quer ficar para trás
e depois a factura paga-se
a humildade e bom senso são compensatórios
a boa companhia então nem se fala


com areia a escaldar
os tornozelos todos maçados
e nós todos assados
a meta!

venha UMA 2013
com a treinadora :-) a lado
vamos ver se a consigo acompanhar

UTLO a 6 dias
nas ultimas semanas as provas têm sido marcantes

MIUT


um desgaste monumental
a prova do ano
a seguir a repetição da prova do ano de 2012
a
UTSF


com mazelas do MIUT
a descontração e brincadeira era ordem da treinadora

e mais uns trocos pelo meio
o endurance continua...

I have a dream
i still have a dream

voltar à Madeira e acabar o MIUT com a Ana
naquele local fantástico

e


há quem sonhe com o Mont Blanc
 em 2 provas fiz pontos para lá ir
mas o meu sonho é mais perto
mais barato
apesar de mais dificil
apesar de ter pouco mediatismo, e ainda bem
é o meu sonho


boas provas a todos
bons treinos a todos

Querer é poder,
nunca é como se começa, mas sim sempre como se acaba!

assim está a chegar ao fim esta época épica
e maravilhosa
:-)

pelo meio ficaram muitos momentos
muitas amizades travadas

obrigado Mundo da Corrida

obrigado Ana Santos

obrigado Amigos






quarta-feira, 29 de maio de 2013

Sabor amargo da conquista



Meses a namora-lo
Fotos lindas
O desafio era atentador
Inicialmente a ideia foi atravessar a ilha a pé e íamos aos 85k
A Ana picou-me o juízo, vamos lá e não fazemos a grande?
O meu coração saltou, e depressa essa ideia cresceu dentro de mim ao lado dela
Foram meses de preparação
Ultras atrás de ultras sempre em ritmos de endurance
Em algumas situações podia-se ter andado mais rápido
Em outras em maiores distancias
mas o nosso objectivo era o MIUT 116k




e assim foi 


Da esquerda para a direita, eu, a minha Ana Santos o João Lamas e o João Queiróz
Claro tivemos o espectacular Rodolfo Rapaz, e o Otavio Melo que não aparecem nesta foto
mas acabaram por fazer parte desta aventura


Ia preparado até aos dentes
a Ana foi mais minimalista, mas ia com um grandioso sorriso
o Rodolfo mais relaxado, mas mais apreensivo pois já sabia ao que vinha...
a decisão foi partir sem impermeável, foi no bolso, o João igual e a Ana depressa quando começou a subir se juntou a nós ehehehheheheehehehe


este cimento tinha mais de 25 % de inclinação e levou 45 minutos a ultrapassá-lo, o aquecimento estava feito
tinha os tempos todos estudados, quer para fazer bom tempo quer para não ser barrado
estava-mos 5 minutos atrasados, nada mal, nada de especial :-)
na descida começa o nosso calvário, mais 20 minutos ao ar, era muito técnica e havia fila
quando entrámos na seguinte subida foi de uma violência incrível, nunca mais acabava e de uma inclinação ofegante, quando chegámos ao 1º cp já levava 1 hora de atraso à melhor estimativa, e estávamos perto de sermos barrados, a Ana muito triste pois ela gosta de andar descontraída, tinha que levar com pressão e dar corda aos sapatos, e aconteceu o pior cai nevoeiro serrado, os óculos da Ana andavam sempre embaciados, ela não podia usar as lentes de contacto, por motivos médicos.
Se a subida demorou muito tempo e foi desgastante, a descida enorme e técnica com o nevoeiro não correu melhor, e a Ana desesperada por querer correr, e não ver o caminho, dissemos ao João para seguir, pois não sabíamos se íamos chagar atrasados, foi quando o dia começou a vir, metemos o nosso passinho
disse-lhe que ainda dava, ela já estava a animar, e conseguimos :-)
O João estava triste no abastecimento, ficou contente por nos ver, o abastecimento estava cheio de malta
que ia desistir, depois aparece o Rodolfo, tranquilo mesmo em cima do tempo.
Os Estanquinhos ficarão guardados cá dentro, de mim e da Ana, era o primeiro local que víamos desde a partida, em 32 km e 3000 d+, 7h30 incrível
olha-mos uns para os outros e acordámos pelo menos tentar o próximo controle de tempo o curral das freiras, tínhamos até às 14h
e com um caldinho de galinha, uma sandes de banana e queijo, bolo da madeira e um café nos posemos ao caminho :-)  eu a Ana e o João
a seguir o percurso correu na normalidade, descontraídos e felizes e ainda deu para umas fotos


o cp das 7h30


o Rodolfo...cheguei a perguntar porquê não andar connosco, mas .... ele gostava de subir mais calmo
ainda não sei o que se passou, mas deverá ter chegado ao poiso muito fora do tempo, foi uma pena
agora tem que se juntar a nós e voltar lá :-)


sitios lindos, escadas e mais escadas,
andámos sempre em trilhos ou caminhos, escadas e escadinhas
um infinito de escadas lol
quer para cima quer para baixo
quer de pedra, quer de cimento, quer de troncos e quer escavados
brutal


as levadas,eram levadas e mais levadas, cada uma maior que a outra, uma de noite outras de dia, com e sem nevoeiro, simplesmente deslumbrante





este foi o abastecimento mais calminho, sempre muito bem tratados :-)
o próximo troço para o curral era como verão a seguir







este percurso pedestre, foi loooooooooooongo, a subir e o calor apertava, seguido da descida do curral, muito desnivelada, pedra solta e areias, muito escorregadia, daqui para a frente iria perder a minha disponibilidade física e amimica para as fotos
estávamos animados, tínhamos chegado 20 minutos antes do limite do tempo
trocar de ténis, abastecer os sacos, e caldinho de galinha, sandes de banana e queijo, bolo da madeira e cafézinho ;-) lol
ia começar o assalto ao pico ruivo 8.9km a subir
esta subida tem duas histórias, a primeira parte, debaixo de um intenso calor foi fustigadora e duradoira
com degraus, sem degraus, no meio de eucaliptos, lá íamos...tinha enchido o saco de água, foi toda.
Finalmente tinha ficado mais suave e começávamos a entrar pelas nuvens a dentro, e as rajadas de vento gelado começavam a atacar, brbrbrbbrbrrbrbbrb
havia uma tenda de socorro da organização e estavam lá desistentes, nem sabíamos , o que nos esperava a restante subida no perfil era mais suave, mas tornou-se quase algo tirado de um filme de terror
vento, nevoeiro grandes degraus molhados, escarpas um sobe e desce constante, os quadrix aqui começaram a queimar a sério, o desgaste fisico e mental começava-se a sentir a olhos vistos, cada curva cada clima, ora sol, ora nevoeiro, ora calor, ora rajadas de frio foi algo que não esquecerei
só a por e a tirar impermeável foi de loucos
irei por algumas fotos tiradas por um outro aventureiro
que tendo sido mais rápido até tirou fotos dos nossos percursos finais nocturnos





aqui foi o último descanso mais um posto surpresa com líquidos, e ia começar o troço que deu cabo de toda a gente, o carrossel para o pico areeiro
simplesmente deslumbrante e duríssimo
onde a Ana sempre andou à frente a puxar pelos pastelões eheheheeheeehh
até me troça o coração, de nós os 3 ela sempre esteve mais fresca, sempre mesmo no momento do abandono

















e com esta imagem nos despedimos do pico areeiro, desta maravilha da natureza
e entramos no cp do areeiro
eram 19h40, tínhamos 3 horas e 20 para chegar ao Poiso
e ainda precisávamos de descansar
o nevoeiro já nos tinha envolvido totalmente, bem como o vento e o frio
a noite estava a 1 hora
e ra quase impossível chegar ao outro cp
tínhamos de descer numa hora e subir em duas
a Ana sentiu-se mal, pois lembrou-se da 1ª noite e os óculos, e não conseguiria ir ao ritmo necessário
por não ver, e temia pela sua segurança, ela disse que não iria continuar para não nos empatar
quase que chorei, e disse-lhe que ficava com ela
ela olhou-me bem dentro, agarrou-me e disse-me, eu fico bem, tu estás bem vai acabar isto com o João
o João que tinha a sua lanterna do chinês estragada, lol ficou com a da Ana
prepará-mo-nos bem e com um grande aperto dentro de mim deixei o abastecimento e a Ana
Para o ano voltamos para acabares Ana ! :-)
Não sei do que foi, mas fomos por ali abaixo que nem uns doidos
nem parecia que tínhamos 78 km nas pernas daquela dureza
fizemos 8 km numa hora, e a noite caiu já estávamos a subir para o poiso
mas o que eu temia aconteceu
e o aperto não nos perdoou até ao final
foi de dores e sem forças
finalmente chegávamos ao Poiso e com alguma folga
foi o último abastecimento que consegui comer de jeito
o calvário afundava-se, mas 25 faltavam, e o próximo objectivo era o próximo cp e a descer
no meio do vento, por debaixo das árvores a deixarem cair água com o vento daquele nevoeiro macabro







o poiso

já comia uma bananinha da madeira ehehehheeh

de seguida foi aquilo ao que eu chamo de uma autentica caminhada e luta contra tudo, a distancia, o nosso corpo tudo...e a partir do percurso do maroços começou a tourada a sério
os olhos a fecharem, as tonturas, o sono a dominar o corpo
era o João faz um trote estou quase a dormir
e o meu trote mais valia estar quieto lol
e ele dizia eu a andar ando tão rápido que o teu trote, lol
não havia condições.....
foram horas muito violentas a todos os níveis




do abastecimento dos 20 km saímos a pensar nos dos 12km como meta
claro foram 3 longas horas, num sobe e desce, tudo parecia grande e enfadonhos muros
dos 12km ficámos a pensar no abastecimento dos 3 que afinal faltavam 4,5km :-(
uma longa e sacrificante descida para Manchico, as pedrinhas pareciam grandiosos degraus.
a levada final foi interminável.







e assim se chegou a Manchico



29h19 116k 7000d+ 


O João Lamas e eu tínhamos conseguido superar esta prova e nós próprios
a nossa união
o nosso controle
 a nossa força interior
e a Ana Santos 
deu-nos este prémio
com o sabor amargo de a Ana ter ficado nos 78 km
dedico esta conquista à Ana Santos

e como temos de pensar em algo, porque não....



vamos nesta :-)